quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Pais e filhos


A cada dia me surpreendo mais observando o tipo de relacionamento que pais e filhos mantém nos dias de hoje.
Escolhi a música Advice for the young at heart, da banda Tears for Fears, porque como o título já diz; aviso aos jovens de coração, logo vocês estarão mais velhos.
Justamente observando os pais e os filhos de hoje, que julguei essa música tão apropriada. Tanto pais quanto filhos tem se relacionado como se o tempo não lhes fosse cobrar as consequências de seus atos e palavras.
Filhos não se dão conta de que um dia, talvez, sejam pais. E pais se esquecem que um dia foram filhos. Como diz a canção: você culpa seus pais por tudo, são crianças como você, o que você vai ser quando você crescer?
Fico sempre pensando no tipo de educação que eu recebi, rígida, até meio cruel, não se discutia uma ordem, não se confrontava uma decisão, só havia duas respostas; sim ou não, e ninguém dizia nada, concordando ou não, cumpria-se.
Hoje, é comum o filho dizer que não concorda com o pai, confrontá-lo, enfrentá-lo, sendo justa ou não a indagação do pai.
Claro, que muitas vezes, tive que ceder a decisões totalmente arbitrárias, mas apesar de algum sofrimento, sobrevivi e bem.
Meus filhos, às vezes, batem de frente comigo, mas tudo sempre fica no campo do respeito, mesmo que alguém se exalte, sempre há um pedido de desculpas quando necessário, um papo para se esclarecer os pontos nebulosos e muitas vezes: um quem manda sou eu, é necessário.
Outro dia, fiquei sabendo de um pai que chamou a polícia para o próprio filho de 12 anos! O menino ameaçou quebrar algo e na impotência diante do fato, o pai recorreu as autoridades policiais. E a justificativa foi que se ele perdesse a paciência, a ponto de bater no garoto, o que estava prestes a acontecer, alguém acabaria por denunciá-lo, achou melhor chamar antes.
Que história mais triste! Me doeu pensar que o relacionamento entre pai e filho esteja tão desgastado que precise de intervenção policial. Conheço pouco a rotina desses personagens, mas o pouco que sei, é que o pai ama muito o filho, tenta ser um bom pai, assumiu a educação após a separação e está atolado de profissionais que ao meu ver, estão somente tomando seu dinheiro e encontra-se totalmente perdido. Fiquei triste pelo pai, pelo filho e por toda a sociedade absurda que causa esse tipo de sofrimento.
Vivemos um mundo de regras a serem quebradas e palavras demais a serem ditas. todo mundo tem a receita para se educar o filho dos outros, inventa-se uma série de nomenclaturas para se denominar o que todo mundo já sabe: o mundo (em letra minúscula, mesmo) está muito mau educado!
Pais mau educados, filhos mau educados! Pais perdendo suas referências e tentando ensinar através da oratória e não pelo exemplo, a criança, adolescente, precisa de exemplos e exercícios com as experiências que o farão aprender agir em vários tipos de situação. Como ensinar seu filho a respeitar as pessoas, se as vezes, os próprios pais, não o fazem... E esse papo de ser amigo do filho... Como pode ser? Paternidade, maternidade, não combina com amizade! Não dá certo, cedo ou tarde a criança perde a referência, afinal, quem é o adulto? Ser amiguinho do filho é um perigo! Falar as mesmas gírias, permitir linguajar chulo, safar o filho de um castigo, esperar que o filho conte tudo, além de perigoso é desrespeitoso com o ser que está em formação. Claro, que não precisa ser um general, ditador e monopolizador. Conversar com o filho é importante, respeitar, é importante, orientar é importante, mas irão surgir momentos onde quem decide é o adulto, simplesmente porque a criança não tem maturidade, seu cérebro não está preparado para tomar decisões e arcar com as consequencias.
Aquele frase batida de facebook, apesar de parecer piegas, é bem verdadeira: preocupamo-nos com o mundo que deixaremos aos nossos filhos, e nos esquecemos dos filhos que deixaremos para o mundo.
Já tive muitas experiências em escolas, onde o filho a incentivado a não fazer suas tarefas pela própria família, que enche o dia da criança com tantas atividades, que não sobra tempo para que a criança cumpra seus deveres! Um detalhe, encher o dia do filho é encher o horário da ausência dos pais, com atividades. Ninguém esta dizendo que as famílias são seres malignos que querem delegar a outros a responsabilidade de educar, elas o fazem porque trabalham demais, para manter um um padrão de consumo que as pessoas julgam ser importante. Eles não fazem por mal, apenas não sabem como fazer.
Ouvi no curso de neuroeducação que o mundo antes tinha o padrão perfeccionista, as famílias exigiam de seus filhos comportamentos exemplares, porque julgavam ser o melhor para eles e para se gabarem para os outros... Hoje, o mundo tem o padrão mercantilista, exige quem dá mais, as relações são baseadas na troca: faz isso que te dou aquilo, ou então, não faz nada que te dou assim mesmo, pois dar coisas se tornou mais importante que ensinar coisas. Não sei onde vai dar, mas sei que não vamos gostar do resultado.
Tem um provérbio chinês que diz que a chave de tudo é o equilibrio: um instrumento com a corda frouxa, não toca, se apertarmos demais, a corda arrebenta!
Em matéria educar filho assim como no Budismo, o mais acertado é procurar o Caminho do Meio!

Nenhum comentário:

Postar um comentário