As escolas transformam crianças que brincam em adultos que trabalham.
Li essa frase numa rede social,
na página de uma pessoa que não é da área da educação. Achei tão curiosa a
coincidência, pois ultimamente tenho pensado muito sobre essas questões.
Primeiramente, na minha modesta
opinião, a frase é em parte verdadeira; realmente a escola tal qual vemos hoje,
realmente foi diminuindo o tempo e o espaço para que as crianças criem,
experimentem, exercitem, simulem situações. É comum a família de uma criança de
três anos já preocupada com a faculdade que a criança fará no futuro! E assim,
criam expectativas que muitas vezes, são dos adultos, sem deixar espaço para
que essa criança tenham oportunidades de
se conhecer realmente. Os currículos estão ficando cada vez mais densos e os
conteúdos cada vez mais complexos. É um orgulho exibir a apostila da educação
infantil do filho com páginas e páginas de assuntos que não tem significado
algum. Ultimamente, quem decide o que se vai ensinar são as editoras, que
quanto mais grosso for o livro, mais credibilidade ele passa. Cheguei a essa
constatação quando precisei analisar uma série de sistemas didáticos para a
escola em que eu trabalhava.
O curioso eram os argumentos que
algumas educadoras davam ao descartar certos materiais; esse é muito fraco, tem
poucos exercícios, tem excesso de sugestões. E eu ouvi isso de uma educadora
especialista em educação infantil e séries iniciais! Quantidade se tornou
sinônimo de excelência. Quanto mais trabalham, mais chances as crianças terão
de ser bem sucedidas, é de pequenino que se torce o pepino, assim diz o dito
popular. Isso não é verdade, pode ser que a criança que desde cedo aprende a
ter muitos compromissos formais, pode ser bem sucedido na vida adulta, mas isso
é tão relativo. O que significa ser bem sucedido? Ganhar muito dinheiro, ter
muitas coisas, ser admirado pelas coisas que possui? Pode ser para alguns. Mas
esse sucesso pode ser passageiro, afinal nosso país pode entrar em crise como
muitos países europeus que nós admirávamos como sinônimo de riqueza, luxo e
sofisticação, entraram e, tudo pode mudar num simples movimento das bolsas de
valores! Esse mundo de consumo atual, não pode perdurar. Nosso planeta não
suportará. Portanto, em breve, nós seres humanos vamos precisar passar por
processos de adaptações. Antes de pensar em sustentabilidade no planeta,
precisamos aprender a nos sustentar com os recursos que teremos. E será que
ninguém pensa que os filhos que estamos deixando para o mundo não estão
preparados para passar pela eminente mudança que irá ocorrer?
Realmente, a escola transforma as
crianças em operários do saber, mas não é só ela, é injusto pesar sobre a
escola essa responsabilidade, família e sociedade pressionam as escolas e
assim, também, tem uma grande parcela de culpa por tantos insucessos. Mas o
curioso de tudo isso, é que apesar de
fazermos nossas crianças trabalharem muito, não as ensinamos a trabalhar! O
mundo é competitivo, mas não ensinamos a competir, competição é sinônimo de
malefício. Ao invés de ensinarmos a entender o processo, o evitamos. E assim,
quando crescem, as crianças entram em crise ao se deparar com o mundo
competitivo do trabalho, como não sabem lidar, ou competem deslealmente, ou
simplesmente se escondem do mundo! Será que não se pode desconfiar dos números
astronômicos de casos de depressão, síndromes de pânico e transtornos
bipolares? Isso, sempre existiu, sim, mas agora existem muito mais.
Finalizando, nada do que disse é
novidade, todo mundo fala, todo mundo sabe, mas palavras são somente palavras
se não se tornam ações, para que crianças sejam crianças e que os futuros
adultos sejam adultos plenos e resolvidos, é preciso parar de falar e agir.